04 maio 2026

o escuro, só

o escuro, só

são cor de mar os seios cânfaros da madrugada

são janelas de pedra, lacerando labaredas de néon

enquanto o corpo se despede da noite, o escuro, só.

 

são pedras semeadas no arvoredo em silenciar desespero

o sono é uma argola suspensa ao pescoço, que pede clemência

a cada espada espetada na terra, depois

são cor de mar os seios da madrugada, sós.

 

o escuro, só.

são gotas de água a saliva de uma árvore, invisível ao destino

que às vezes, e que tantas vezes, é comestível

é combustível para a morte.

 

e brinca, só, o menino

sem arte, e sem sorte

sem terra para amar…

e o escuro, está só, tão só como o mar.

 

Francisco

04/05