o escuro, só
são cor de mar os seios
cânfaros da madrugada
são janelas de pedra,
lacerando labaredas de néon
enquanto o corpo se
despede da noite, o escuro, só.
são pedras semeadas no
arvoredo em silenciar desespero
o sono é uma argola
suspensa ao pescoço, que pede clemência
a cada espada espetada na
terra, depois
são cor de mar os seios
da madrugada, sós.
o escuro, só.
são gotas de água a
saliva de uma árvore, invisível ao destino
que às vezes, e que
tantas vezes, é comestível
é combustível para a
morte.
e brinca, só, o menino
sem arte, e sem sorte
sem terra para amar…
e o escuro, está só, tão
só como o mar.
Francisco
04/05