Emerêncio tudo teve, da
vida que mereceu
Foi muito feliz, foi tão
feliz que no final morreu
Antes de morrer palmeou
os seios da Alzira adormecida
E teve na mão a flor
desenhada por uma ausência merecida,
Mas Emerêncio tinha no
seu sonhar
Que um dia poderia voar
E que de tanto o sonhar
ficou tolo
E de tão o era tolo que
um dia acordou bolo,
E que depois, muito mais
depois de outro dia acontecer
Emerêncio reparou ao
acordar
Que também o dia estava a
morrer,
E Emerêncio entre a chuva
e a maldição
E já cansado de remar
Percebeu que à tempestade
pertencia o seu coração.
Francisco
05/05