Este corpo que me foge
Se cansa da vida patética
e fria
Que cada degrau subido
É uma ribeira desenfreada
Magra
Que lia
Na primeira sílaba do
pecado
A solidão
De uma mão
E o eterno corpo cansado,
Que este corpo deixou de
me pertencer
Quase sem vida
Quase sem vontade de
caminhar ou correr ou viver
Que este corpo vagabundo
É a sinfonia sem prazer
Quando a lua é a maresia
E o verbo é foder
Que este corpo é uma velharia
Sem cromados
E janelas eléctricas,
Que este corpo depois de
cremado será cinza
O húmus que fortalecerá a
razão inversa
Do sofrer
Descer
E subir
E me deitar
No chão húmido da minha
aldeia
Que este corpo me chateia
Até que um dia eu consiga
erguer da alvorada
A semente de um novo dia.
Francisco
01/05