03 maio 2026

A espada

Pronta está a espada, quieto o corpo que sente

Enquanto deitado, enquanto sólido ardente

Na fogueira de um olhar

Ou no mar

De uma gota de sangue.

 

A espada apenas poisa no peito sofrido

Da sombra acabada de nascer

E o corpo sabe que aquele pingo gélido de sangue

Provocado pela ponta da espada

Será a porta de acesso ao sorriso.

 

O corpo já não se interessa do corpo que cessa

E se despede do sítio invisível do alento destino

Que o corpo morre aos poucos

Como o rio que sobe a montanha

No adeus de uma vírgula em delírio.

 

Francisco

03/05