29 abril 2026

Uma laranja vaginal na esquina manhã

Uma laranja vaginal na esquina manhã

Ou na luz do clitóris

O sorriso da tempestade

Que toda contente se esconde

Da bruma primavera dos olivais


A laranja é quase gelo

No silêncio dos outros dias

Quando o fogo quer ser poesia

E o poeta

Um corpo de tinta


Deitado sobre a secretária

Cada gomo da laranja é lua

Escuridão do último luar

E da laranja ficou apenas a solidão

E a vontade de partir.

29/04