Uma laranja vaginal na esquina manhã
Ou na luz do clitóris
O sorriso da tempestade
Que toda contente se esconde
Da bruma primavera dos olivais
A laranja é quase gelo
No silêncio dos outros dias
Quando o fogo quer ser poesia
E o poeta
Um corpo de tinta
Deitado sobre a secretária
Cada gomo da laranja é lua
Escuridão do último luar
E da laranja ficou apenas a solidão
E a vontade de partir.
29/04