Que o livro seja o silêncio da última paragem do mar
Que este mar que me leva seja o prumo e o fio
Da bruma primavera entre os dias
Nas noites perdidas
Que o livro seja puro
E erecto como o pénis
Ou como o vento convicto
E convencido
Que a derrota também é o pincelar
Da primeira pedra lançada contra o fogo
Porque o livro é a melodia
De um relógio quase gelo
No pulsar de uma biblioteca de tinta
E o pavio em delírio
Sob a luz do clitóris
Que amanhã cessam as tulipas
Que angústia sente a água da morte
Me pertencer
E de não o querer
Que o livro seja o silêncio da última paragem do mar
11/04/2026, 20:30