11 abril 2026

Que o livro seja o silêncio da última paragem do mar

Que o livro seja o silêncio da última paragem do mar

Que este mar que me leva seja o prumo e o fio

Da bruma primavera entre os dias

Nas noites perdidas


Que o livro seja puro

E erecto como o pénis

Ou como o vento convicto

E convencido


Que a derrota também é o pincelar

Da primeira pedra lançada contra o fogo

Porque o livro é a melodia

De um relógio quase gelo


No pulsar de uma biblioteca de tinta

E o pavio em delírio

Sob a luz do clitóris

Que amanhã cessam as tulipas


Que angústia sente a água da morte

Me pertencer

E de não o querer

Que o livro seja o silêncio da última paragem do mar


11/04/2026, 20:30