10 abril 2026

o silêncio está em vento, ao distante, longe

o silêncio está em vento, ao distante, longe

dois pontos de luz em recta linha, dentro de um negro buraco

ao invés do destino, sem término, sem luz no caminho

na recta linha que não mais acaba

que nunca mais é dia, é o puro anel de brilhante púrpura

que ao acordar, de menino fica poesia

 

o silêncio está em vento, e o sentir-te já não é o sonhar

tão pouco o é desejar, muito menos, te olhar

de cinco em cinco segundos-luz, volta o vento, não traz o silêncio

mas traz outro vento, mas traz outra voz

que semeia ma terra falsa da aldeia, as palavras e os números

e as almas por vender

 

a venda foi um falhanço, de cinco almas vivas, apenas deixou uma ficar

serviu de penhora, e que um qualquer agiota lhe deu pela alma viva, livro-e-meio de poesia, coisa pouca, horas depois

já fome sentia

e pensar em dormir, não

não o fazia

porque o silêncio está em vento, a flor quase sem pétalas

 

e o silêncio que está no vento, se ergue e que se revolta

porque à sua volta

um exército de palavras o espera, e a alma viva, percebe

o que todo aquele exército lhe quer, apenas e só

o só nome seu

que foi geada em criança

que é hoje enxada nas mãos do céu

 

Alijó, 10/04/2026, 19:16