ao centro o cubo de vidro
três janelas em vidro tem
o cubo, o cubo de vidro
tem uma porta, e a porta
dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é
o universo
em reversão e sem nexo,
outro cubo, outro verso
sem verso
sem sexo
ao centro, a cama, em
cima da cama um círculo, nu, tão nu
como o cubo de vidro
com três janelas em
vidro, e uma porta,
tão escuro está o corpo
em lhe tocar, a verdade
é que o cubo é a vontade
do fragúes, confidente
e obediente
e contente
porque na terrinha já tem
o continente,
depois vem a sopeira com
os cupões e com os talões
ele é desconto, ele
desencanto e ele é mergulhar
tão fundo e de tão longe
que ele veio
no alento
no destino alheio,
mas o vento, esse
o vento não quer saber do
centro, nem quer saber do cubo
e tão pouco das três
janela em vidro
e de uma porta, e a porta
dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é
a ausência de uma abraço,
sentindo o escuro do dia, quando a noite é sempre dia.
Francisco
29/04
