29 abril 2026

o cubo de vidro

ao centro o cubo de vidro

três janelas em vidro tem o cubo, o cubo de vidro

tem uma porta, e a porta dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é

o universo

em reversão e sem nexo,

 

outro cubo, outro verso sem verso

sem sexo

ao centro, a cama, em cima da cama um círculo, nu, tão nu

como o cubo de vidro

com três janelas em vidro, e uma porta,

 

tão escuro está o corpo em lhe tocar, a verdade

é que o cubo é a vontade do fragúes, confidente

e obediente

e contente

porque na terrinha já tem o continente,

 

depois vem a sopeira com os cupões e com os talões

ele é desconto, ele desencanto e ele é mergulhar

tão fundo e de tão longe que ele veio

no alento

no destino alheio,

 

mas o vento, esse

o vento não quer saber do centro, nem quer saber do cubo

e tão pouco das três janela em vidro

e de uma porta, e a porta dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é

a ausência de uma abraço, sentindo o escuro do dia, quando a noite é sempre dia.

 

Francisco

29/04