quando já quase nada faz
sentido
sentir o vento devido
mergulhado no ónus
endividado e tímido
nos confins da ausência
programada
e desejada como que o
delírio
fosse dinheiro
e eu de tão rico estar
porque passo os dias a
delirar
e passo as noites a
escrever
e a desenhar
e a sentir
o vento regressar
e a primavera a chorar
e a saliva sobre a pele
escaldante de uma lágrima
que de tão cansada estar
adormece no meu rosto
e o acaricia
e lhe toca
e eu sei que não estou só
nem louco.
Francisco
30/04