era só o medo disfarçado
de húmus sitiado
no degredo e na canseira
de estar vivo
era só o juncal e a
proeza de ser
soldado magro e de pouca
riqueza
que tinha sobre a mesa
o sabre e a espingarda
que sempre tinha sido
soldado
soldado em brasa
teve casa
teve o mar
e a escuridão dos dias de
nada ser
e de viver
na espuma de uma lágrima
ah também foi o luar
e teve dentro dele a luz
divina
era só o medo disfarçado
de húmus sitiado
quando a ausência é a
alegria do pobre
que teve uma sebenta nos
tempos de encantar
serpentes e outros
animais
depois de soldado foi
capa dos jornais
e também foi o diabo
vestido de sôfrego
amanhecer
que de tudo aquilo que
foi
o que lhe deu mais prazer
foi ter sido um pobre
diabo
que foi feliz quando
soldado
que teve um rio do
tamanho do universo
e muito frio no regresso.
Francisco
30/04