18 março 2026

Sentia o entranhar da luz no feliz do espantalho

Sentia o entranhar da luz no feliz do espantalho

Da janela, ouvia-o, enquanto eu fumava, enquanto eu bebia

E do quarto do meio fazia, não um bordel, mas uma livraria

Que também olhava, o entranhar da luz

No doce e querido espantalho

 

Em seu redor, corpos esbeltos e finos como a seda, na outra árvore, às vezes chamava os pássaros, e eles ouviam o jasmim

Deitado junto à ribeira

Na penumbra, a estrela que é o cansaço, na primavera

Do mundo, no inicio da saudade

Mais uma fina e alegre mistura de argaço e

 

E também sabia o sentir de uma veia, quando de tão fina

Levitava, e semeava junto ao espantalho, outros espantalhos, que eu

Que todo o campo de milho, sentia vergonha

Quando acordava a noite no dia de ontem

E já era outro dia

 

A luz depois mergulhava em cada terrão de terra, quando pela manhã ficava húmida, mas juto à noite

Ouvia o perfume do espantalho, e sentia a sua mão

No meu rosto, no meu sexo

Um beijo se esfumava no rosto de um espelho

Que era prata, que era

 

A erecção da poesia, e sentia

A mão no peito que pertencia ao espantalho, o milho

Dançava, e se erguia, aos poucos, como se fossem gotículas de suor no corpo de uma laranja

A voz, no ouvido, tão doce como o doce espantalho

Derretendo-se num pedaço de chocolate, doce

 

 

Alijó, 18/03/2026, 20:03