31 março 2026

quando te vejo

quando te vejo

oiço o apito dos rochedos

vem a mim o perfume                   

lume

de um beijo

 

e sinto o vento no rosto

e muitos medos

do luar em ciúme

que o bom gosto

desenha na fogueira de um olhar

 

que quando te vejo

oiço as gaivotas em cio

que são também filhas de um rio

que quando te vejo

a minha voz é uma jangada

 

ou uma pedra em queda livre

tão livre, como o deus criador

como galileu, ou apenas como um impostor

de vontade aceite que na ânsia de um abraço

não o foi e agora pertence ao abismo

 

ao sulfúrico ácido

que quando te vejo

sem jeito fico

sem paz encontrar

nos iões de um desejar.

 

Alijó, 31/03/2026 – 21:59