quando te vejo
oiço o apito dos rochedos
vem
a mim o perfume
lume
de um beijo
e sinto o vento no rosto
e muitos medos
do luar em ciúme
que o bom gosto
desenha na fogueira de um
olhar
que quando te vejo
oiço as gaivotas em cio
que são também filhas de
um rio
que quando te vejo
a minha voz é uma jangada
ou uma pedra em queda
livre
tão livre, como o deus
criador
como galileu, ou apenas
como um impostor
de vontade aceite que na
ânsia de um abraço
não o foi e agora
pertence ao abismo
ao sulfúrico ácido
que quando te vejo
sem jeito fico
sem paz encontrar
nos iões de um desejar.
Alijó, 31/03/2026 – 21:59