29 março 2026

o corrupio destino de uma almofada, de um candeeiro, nu, despido e estupidamente, despedido

o corrupio destino de uma almofada, de um candeeiro, nu, despido e estupidamente, despedido

a cânfora cidade, portuária, na tranquila luz

no cimo da montanha, cada barco que lá chega

traz nuvens, alguns afazeres pela manhã

e fatias de pão de ló

 

que bom que ele é, o comandante deste navio

dentro deste corrupio, destino de ser almofada

faminta, artesã nos afazeres e na morte

o profundo abismo em ser uma cama de lírios

e de saber que lá fora, ainda não é dia

 

talvez daqui a pouco o seja, e eu

já cá não me encontre e encontre, o navio, a almofada, a cama

sitiada sobre o soalho de verniz, quando na ardósia da noite

uma aldeia, longe daqui

se ergue das cinzas de um olhar e que me diz; são horas de acordar, luiz.

 

29/03/2026, 06:15