o corrupio destino de uma
almofada, de um candeeiro, nu, despido e estupidamente, despedido
a cânfora cidade,
portuária, na tranquila luz
no cimo da montanha, cada
barco que lá chega
traz nuvens, alguns
afazeres pela manhã
e fatias de pão de ló
que bom que ele é, o
comandante deste navio
dentro deste corrupio,
destino de ser almofada
faminta, artesã nos
afazeres e na morte
o profundo abismo em ser
uma cama de lírios
e de saber que lá fora,
ainda não é dia
talvez daqui a pouco o
seja, e eu
já cá não me encontre e
encontre, o navio, a almofada, a cama
sitiada sobre o soalho de
verniz, quando na ardósia da noite
uma aldeia, longe daqui
se ergue das cinzas de um
olhar e que me diz; são horas de acordar, luiz.
29/03/2026, 06:15