é simples, o mecanismo complexo que habita
a aldeia, tão simples
como a areia veia
que voa, que levita
como se fosse uma
gaivota, que grita, e semeia
a primavera na mão do
varejão
são as árvores em aço, de
simples traquejo
que só existem dentro de
um coração
que às vezes, é cego, é
vesgo e não o vejo
e deste mecanismo
complexo, os parêntesis rectos
que dentro de um círculo
até parecem palavras
e ângulos a seus netos
dos catetos, quando
pitágoras se deitou sobre o triângulo rectângulo
havia uma cilada,
disfarçada
de janela safada, ou quem
sabe era um losango
na algibeira do regedor
da aldeia, e ainda ontem seria
a teia, a tinha, ou a
alvorada
na esperança de uma
cortina voar, e ser sempre dia.
Alijó, 28/03/2026, 22:18