é o sol mais nocturno, de
todos os nocturnos sóis
é uma viagem sem
regresso, do ponto mais afastado do sistema cartesiano, uno
o universos, despido, a
muitos milhões de anos-luz
o corpo que me pertenceu,
está lá
e hoje é um meteoro azul,
que dança dentro do vento
procurando o vácuo,
remexendo em cada buraco negro, não há tempo
apenas o espaço nos
pertence
quando um ião, nos
ultrapassa, e nos vence
e nós, lixo espacial,
equações de órbitas que já não existem
e há muito morreram nas
mãos de um poeta
que queria ser
astronauta, que queria ser a árvore de um silêncio
que quer apenas ser, um
pássaro, numa qualquer biblioteca deste sistema solar
31/03/2026, 04:05