09 fevereiro 2026

nos teus olhos

nos teus olhos sou o mar clandestino da tua noite

que te abraça, docemente

como quem procura nas estrelas

a vida eterna de um toque, da mão quase

 

charrua, que no meu corpo lavra, que no meu corpo recua

como se a noite fosse uma ausência, ou uma mentira

nos teus olhos sou o mar, sou a solidão de uma tela

sem nome, e tão só

 

tão só que tenho medo de sorrir, que tenho medo

medo em te perder, em te tocar

sou o teu mar, talvez, ou o nunca

como nada nunca o fui

 

ou sou, ou o serei

o teu mar, talvez, talvez seja o só

eu o só caminhando na sombra de um imbondeiro

que nunca viu o mar

 

mas eu, eu quero ser o teu mar, o oceano que se esconde nos teus seios

e que desenha no meu peito, o teu nome

e o rio que trazes nos olhos

que sou o mar clandestino da tua noite

 

09/02/2026, 04:02

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