23 janeiro 2026

tão geada, como o pensamento

(aproveitem, porque hoje é de borla)

 

a gaguez miúfa de uma borboleta, no sírio inverso de uma cânfora adormecida manhã, se o espaço urge, flui sobre o azul silêncio, não tendo a gaguez, um único amigo, ou de porcelana enforcado e distante luar

 

a gaguez, hoje, quase dia na meia-noite de um deslumbrante lençol de neve, a áurea dos teus seios, a minha mão neles procuram,

a palavra semeada numa tarde, num outro qualquer dia, a aceleração de um despiste, contra os raides quase também nuvem, da gaguez, e em vez de

 

correu para as margens do rio sonâmbulo, que quase que galgava a seara de uma infinita, e perdida

madrugada

o frio tinge de incenso, as minhas mãos

tão gélidas como o vento

 

tão geada, como o pensamento.

 

23/01/2026, 19:17

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