10 janeiro 2026

o fogo gélido da última carruagem da noite

atrás de mim, vem o fogo gélido da última carruagem da noite

e é cansaço aquele barco que se afoga no tejo e é fogueira, aquela lágrima que cresce na alvorada

atrás de mim, sentindo no olhar o nome de uma fotografia, que tinha medo

e que vivia, e que dormia

 

abraçado ao segredo, quando se erguia, e quando

das almas o esqueleto ardia

e sofria, atrás de mim, o perfume horrendo da solidão

que também sabe a mel, e que também

 

se afoga noutro rio, com outro nome, e em azul-papel.

 

10/01/2026, 21:48

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