02 janeiro 2026

era uma vez uma vírgula

 

era uma vez uma vírgula, a vírgula, por sua vez, tinha

um amigo que uns o apelidavam de ponto final,

outros,

e outros o chamavam de ponto de interrogação

mas a vírgula tinha um vizinho, miudinho e frágil, que também

tinha um primo, o primo ponto de exclamação

o etc. chegou a esta terra com meia-dúzia e nem tanto, de bicuatas, uns caixotes que vinham mais cansados,

do que cansaço, o sinto,

hoje

 

e mil e um sonhos também trazia o etc.

trazia uma pistola que quando lhe perguntavam, porquê?

ela, a pistola, sentava-se no chão e lhe respondia

não, hoje não dá

era uma vez a chuva, que não molhava, porque chuva civil não molha,

um imbecil, que fui, e o sou

em acreditar que deus um dia se ergueu do seu apogeu, que nunca o foi,

e

e me condenar a trinta e um mil sermões, em números

 

cada porta tem um numero, e cada número tem um nome

cada cateto, os seus netos, que um dia pitágoras lhes disse

que o quadrado da hipotenusa é igual á soma do quadrado dos catetos,

digo,

não era isso, tia adosinda, de mamas ao léu, a esta hora?

 

coitada, não anda muito bem…

 

 

era uma vez, uma bolacha, que comia bocas, que gostava também de números, dos primos e dos não primos, mas

mas hoje. confesso, adoro os números complexos (constituídos por parte real e por parte imaginária),

e que a raiz quadrada de (-1), é

(i, número imaginário)

e se vos disserem que não existem raízes quadradas de números negativos, não

não acreditem,

 

não acreditem.

 

era uma vez.

 

02/01/2026, 23:31


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