07 janeiro 2026

equação maré infinito

olho-te equação maré infinito, que do salto, alcança a próxima quadrícula da sebenta

que na espuma se verte, e se veste de mandarim encurralado

e o próximo barco, como sempre, atrasado

como sempre, um verme muito bem vestido, e acorrentado

ao perfume

 

dois mais dois que são quatro, quatro soldados envenenados

e outros tantos, e muitos tantos, soldados

soldados envergonhados

no quadrado da hipotenusa, quase espelunca, quase medalhado e molhado

no peito, a ferida

a janela para o rio

 

e o vento e o frio, que à noite lhe roubavam a espingarda

que metralhava nas paredes visíveis de um corpo

o sangue quase vinho, que descia do alpendre

e que depois subia, e que depois

dormia

ouvindo os gritos das ratazanas em cio

 

e depois o rio subia, e depois

o soldado se sentava

e fumava

e fumava o primeiro lápis que aparecia

que na algibeira se sentia, e tinha, uma roda dentada…

 

07/01/2026, 23:32



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