olho-te equação maré
infinito, que do salto, alcança a próxima quadrícula da sebenta
que na espuma se verte, e
se veste de mandarim encurralado
e o próximo barco, como
sempre, atrasado
como sempre, um verme
muito bem vestido, e acorrentado
ao perfume
dois mais dois que são
quatro, quatro soldados envenenados
e outros tantos, e muitos
tantos, soldados
soldados envergonhados
no quadrado da
hipotenusa, quase espelunca, quase medalhado e molhado
no peito, a ferida
a janela para o rio
e o vento e o frio, que à
noite lhe roubavam a espingarda
que metralhava nas
paredes visíveis de um corpo
o sangue quase vinho, que
descia do alpendre
e que depois subia, e que
depois
dormia
ouvindo os gritos das
ratazanas em cio
e depois o rio subia, e
depois
o soldado se sentava
e fumava
e fumava o primeiro lápis
que aparecia
que na algibeira se
sentia, e tinha, uma roda dentada…
07/01/2026, 23:32

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