em cima da giesta, dormia
a mula
e sempre que chovia, na
eira, um puto estudava cálculo quântico, que naquela altura ainda não existia,
e que,
quase amanhã será gente,
o cálculo quântico
e sempre que chovia
a mula
a mula sorria
e que dançava
e que também era alegria
e na alegria da mula, o
moleiro sobe ao sótão
fode a padeira, e depois
senta-se
e depois,
descobre no bolso da
camisa um bilhete, o que dizia
que perguntava à mula se
tinha sentido
o perfume da oliveira,
enquanto a giesta se penteava
enquanto o puto cresceu,
e hoje é uma abobora
vestida, de tantas vezes
vaiada, de tantas vezes, o veneno
na boca orgástica e o
inverno veio e o inverno se sentou no chão árido de uma folha em papel, o
moleiro gritou
e a padeira em constantes
gemidos, que ainda hoje se ouvem
ao nascer do sol, quando
o mar sai à rua
e quando o mar, pincela
de alegria
o olhar de uma cidade, ou
até
o olhar de uma galeria.
08/01/2026, 22:48
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