04 janeiro 2026

A vergonha



A vergonha, sentida e sentada, na esquina da vida

Ou na sombra de nada.

A sombra emergente, que se veste de luto ensonado, que vive

E que brinca junto ao rio, depois do penhasco também ser gente

E frio, e fome.

Sentir o leste vento sofrido de uma mão

Que luta, e que também sente,

Sente vergonha em ser gente

 

Na gente descomedida, em gente

Perdida num qualquer anexo, ou num sótão sem nome.

Que aquele rio é um sarcasmo, enquanto se brinca, enquanto se nasce, enquanto se come

E se cresce, da raiz de um milhão de sonhos, num milhão de silêncios, a vergonha

Desce à rua e se passeia, toda sorridente, toda…

Toda ausente de um milenar contraste, entre as cores e entre os seios de uma cidade, quase

Sem gente, quase sem idade.

 

Depois desce até ao abismo de uma distante e também, antes que era a vertigem, e o alimento envenenado,

Em outro sorriso, quando o sono é apenas um violento, um pedacinho,

De vento e de outras metáforas, e sabia-se

Que ao final da tarde,

Uma amêndoa era degolada por uma boca em fome,

Na fome de uma espada.

 

04/01/2026, 05:44

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