A vergonha, sentida e sentada, na esquina da vida
Ou na sombra de nada.
A sombra emergente, que
se veste de luto ensonado, que vive
E que brinca junto ao
rio, depois do penhasco também ser gente
E frio, e fome.
Sentir o leste vento
sofrido de uma mão
Que luta, e que também
sente,
Sente vergonha em ser
gente
Na gente descomedida, em
gente
Perdida num qualquer
anexo, ou num sótão sem nome.
Que aquele rio é um
sarcasmo, enquanto se brinca, enquanto se nasce, enquanto se come
E se cresce, da raiz de
um milhão de sonhos, num milhão de silêncios, a vergonha
Desce à rua e se passeia,
toda sorridente, toda…
Toda ausente de um
milenar contraste, entre as cores e entre os seios de uma cidade, quase
Sem gente, quase sem
idade.
Depois desce até ao
abismo de uma distante e também, antes que era a vertigem, e o alimento
envenenado,
Em outro sorriso, quando
o sono é apenas um violento, um pedacinho,
De vento e de outras
metáforas, e sabia-se
Que ao final da tarde,
Uma amêndoa era degolada
por uma boca em fome,
Na fome de uma espada.
04/01/2026, 05:44

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