uma seara morre na lágrima de uma fogueira,
e não haverá mais lágrimas nem fogueiras, nem tão pouco, searas para arder, na aldeia
e o que ficou, da noite passada
se questiona o jornaleiro, que não terá mais searas para cuidar,
tão pouco o moleiro, terá grão para moer
ou até o coitado do padeiro, que não terá mais farinha, para o pão fazer
mas a aldeia não tinha apenas searas, que ardiam na lágrima de uma fogueira,
a aldeia tinha igrejas e tinha sinos, que vomitavam pela manhã,
silêncios travestidos de pólen, que depois voavam sobre a terra árida, onde, onde ainda ontem, havia searas que ardiam na lágrima de uma fogueira
24/01/2026, 11:59
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