24 janeiro 2026

a seara

 uma seara morre na lágrima de uma fogueira,

e não haverá mais lágrimas nem fogueiras, nem tão pouco, searas para arder, na aldeia

e o que ficou, da noite passada

se questiona o jornaleiro, que não terá mais searas para cuidar,

tão pouco o moleiro, terá grão para moer

ou até o coitado do padeiro, que não terá mais farinha, para o pão fazer

 

mas a aldeia não tinha apenas searas, que ardiam na lágrima de uma fogueira,

a aldeia tinha igrejas e tinha sinos, que vomitavam pela manhã,

silêncios travestidos de pólen, que depois voavam sobre a terra árida, onde, onde ainda ontem, havia searas que ardiam na lágrima de uma fogueira

 

24/01/2026, 11:59

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