03 janeiro 2026

A caverna

Na caverna, na alegoria de uma mão, Platão

Deitado na cama com sua amante, se a teve, ou se a tinha

Quando dentro da caverna, era escuridão

Escuridão que às vezes vinha, vinha em cada socalco do vinhateiro douro,

A caverna, quase cheia e quase vazia,

Depois da despedida da chuva, da mãe chuva,

Na caverna, ou no útero de uma maçã

 

E o rio iluminava a caverna, e Platão beijava sua amante

E que depois, que depois Saramago se lançou ao vento, e a escrever começou,

A caverna,

 

Na caverna, na alegoria de uma mão, Platão

Deitado na cama com sua amante,

E o luar que tanto o era, que a noite era dia, e que o dia, era a noite,

 

Vestido de dia,

 

À porta da caverna.

 

03/01/2026, 15:07



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