Na caverna, na alegoria de uma mão, Platão
Deitado na cama com sua
amante, se a teve, ou se a tinha
Quando dentro da caverna,
era escuridão
Escuridão que às vezes
vinha, vinha em cada socalco do vinhateiro douro,
A caverna, quase cheia e
quase vazia,
Depois da despedida da
chuva, da mãe chuva,
Na caverna, ou no útero
de uma maçã
E o rio iluminava a caverna,
e Platão beijava sua amante
E que depois, que depois
Saramago se lançou ao vento, e a escrever começou,
A caverna,
Na caverna, na alegoria
de uma mão, Platão
Deitado na cama com sua
amante,
E o luar que tanto o era,
que a noite era dia, e que o dia, era a noite,
Vestido de dia,
À porta da caverna.
03/01/2026, 15:07

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