23 dezembro 2025

Sanzala de vidro

Esta é a janela

Para as páginas de um livro, tão faminto, como gente

E que tanta gente, não o tem

Não,

Que tanta gente a procura, que gente muita

Se afundou, que o mar sabe os segredos de uma mão, quando

Uma simples caneta, em contramão, dispara

Contra a outra mão,

A bala, o sino que toca, e que balança

Nas paredes de uma sala.

 

E a bala me toca, e a bala me beija

E da bala eu recebo, o segredo

Que outrora era a videira, era o socalco

E o rio, e a bandeira.

Esta é a janela

Para as páginas de um livro, tão faminto, como gente

Tão gente como uma sanzala de vidro.

 

23/12/2025, 04:45


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