A miúfa de um corpo descoberto, que lhe toca
Enquanto o lençol é
prata, doirada
Na mão, em mão
E uma seara metamorfose,
que descansa, e desencanta
A pirâmide milenar, de um
olhar
Rasante voo sobre o
silêncio de uma pomba
A sombra clandestina, e
menina
Que a noite fabrica, e que
depois, em fatias
Finas, semeia
Na ardósia, a nóia de uma
veia
E o corpo fica húmos, túmulo
secreto
A colmeia quase deserta,
as abelhas partiram, e foram à descoberta
De novas flores, do pólen
sémen que passeia, e que mancha
O branco de um lençol,
A veia, lacrimeja sítios,
e equações de sono, capazes de erguer das profundezas do mar, a charrua, a lua
Que em nua virgem
primaveril, alcança o sonho,
E o mata, e ele
Suicida-se no camuflado
de um soldado,
Porque um rio nunca
dorme, porque um rio, um rio nunca esquece
O corpo que afogou, mesmo
que esse corpo seja anónimo, demónio
Ou até,
Um coitado, de um drogado
Ou um destino
Ou um amor proibido, ou
até
O pai, ou a mãe…
Assistirem à morte de um
filho
A miúfa de um corpo
descoberto, que lhe toca
E ao orgasmo mais
secreto, os meus parabéns, e sentidos pêsames,
Aos poetas, que vivem do
sol, como eu, que quase não peso,
Pesando eu, tanto e tanto
é o peso do meu corpo
Quando me deito, e o
cansaço é oiro golpeado, em sangue, que brota da mão, que é o frio
Que é o miolo deserto de
um deserto, quase um rio
Que outrora foi também,
vejam lá
Seara, e fastio
E cio em cada pilar de
uma esquina, quando o pobre é apedrejado, e o rico, quase
O fumo de um cigarro que
avança, e de mão na lança, balança
Sobre a balança da outra mão
Que escreve, que escreve,
que escreve
São precisos ovos, papel
higiénico, a máquina de secar roupa em círculos de quase sono, olho-a e vejo as
minhas cuecas azuis, em brincadeiras, em delírios, porque a veia incendeia, e almeja
A pobre de uma galinha
E que mais,
Digo à miúfa do meu corpo?
Que o natal é uma merda.
23/12/2025, 22:53
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