Sentíamos, o que nós sentíamos
Quando descíamos
Quando nos sentávamos incertos,
destintos
E éramos meninos, e
éramos destinos
Na planície quase sargaço,
que dois barcos rompiam
O silêncio do orvalho, a
luz, a cinza
De uma árvore, depois de amada
Quando a sombra era apenas
uma palavra
Quando o vício era a manhã,
que se erguia
Até ao abismo, e também
sentia
Sentíamos o desenlace de
uma vírgula
Suspensa na janela capaz
de se vestir e de partir
Levando consigo o último
beijo da noite
Que nos despíamos, e
sentíamos cada mordaça do nosso corpo…
Que era o centeio, e o pão
E o desejo, no desejo de
uma mão
Que nos sentávamos, e que
fumávamos
Pedaços de sombra embainhada
e mais parecendo uma espada
Que tínhamos, e que
sentíamos; a boca infinita
E faminta, de uma
lágrima.
23/12/2025, 04:20
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