Que dois corpos são a
metamorfose no silêncio errado, em busca de uma jangada de vidro,
No sítio secreto de uma
colmeia de insónia, ouvem-se
As tristes raízes de uma
árvore, distante
E que se afasta do último
ponto de luz
Seremos nós, a diáfana madrugada
sem dormir
Que o sonho nunca passará
de um sonho, apenas
Sempre que o mar se
incendeia e sempre que a chuva
Nos abraça, e amordaça,
no amar desejo de uma barcaça
Somos dois corpos incinerados
pelo fogo gélido, vestidos nós de sílabas vãs, e que depois
Ao cair da tarde, ao
dispor de uma espada poderemos inventar o sono eterno, e todas as palavras,
Que então seremos luz, e
fogo
A cada enxada lançada
contra o vento…
Que dois ventos, seremos
dois apenas corpos de granito, tão frios como o universo longínquo, e lá longe
Tão lá longe como ontem,
a pedra enterrada na terra
E da raiz mais profunda
de um beijo, acordará
A manhã vestida de luar.
31/12/2025, 03:43

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