31 dezembro 2025

Dois corpos

 

Que dois corpos são a metamorfose no silêncio errado, em busca de uma jangada de vidro,

No sítio secreto de uma colmeia de insónia, ouvem-se

As tristes raízes de uma árvore, distante

E que se afasta do último ponto de luz

 

Seremos nós, a diáfana madrugada sem dormir

Que o sonho nunca passará de um sonho, apenas

Sempre que o mar se incendeia e sempre que a chuva

Nos abraça, e amordaça, no amar desejo de uma barcaça

 

Somos dois corpos incinerados pelo fogo gélido, vestidos nós de sílabas vãs, e que depois

Ao cair da tarde, ao dispor de uma espada poderemos inventar o sono eterno, e todas as palavras,

Que então seremos luz, e fogo

A cada enxada lançada contra o vento…

 

Que dois ventos, seremos dois apenas corpos de granito, tão frios como o universo longínquo, e lá longe

Tão lá longe como ontem, a pedra enterrada na terra

E da raiz mais profunda de um beijo, acordará

A manhã vestida de luar.

 

31/12/2025, 03:43


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