30 dezembro 2025

O lençol da última figueira da casa

A neve que cobre o lençol da última figueira da casa, não

Não tenho a certeza mas a vida é construída com uma lágrima no silêncio da minha mão,

E às vezes pareço um pedaço de pedra, e

Da princesa em doce luar, o fogo que também é quase gelo quando a tarde se esconde no meu sangue,

E sinto-me sémen semeado na algibeira de uma mágoa,

O cansaço se enfeita e entrenha na flor tarde lápide do dia.

Sou eu. Sou um mísero abastecedor de palavras, mas...

E a caneta com que escrevo é quase uma vírgula desenhada para disfarçar o cabelo do último veleiro que zarpou, e me prometeu regressar para me levar,

E eu que vou,

E levarei comigo apenas um esqueleto com duzentos e seis ossos, dois ou três livros,

E algumas moedas.

Depois,

Virá a luz e com ela, a noite, e quando abro os olhos

A neve, deixou de cobrir o lençol da última figueira da casa,

E é melodia água na tristeza do poema.


30/12/2025, 21:06


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