A neve que cobre o lençol da última figueira da casa, não
Não tenho a certeza mas a vida é construída com uma lágrima no silêncio da minha mão,
E às vezes pareço um pedaço de pedra, e
Da princesa em doce luar, o fogo que também é quase gelo quando a tarde se esconde no meu sangue,
E sinto-me sémen semeado na algibeira de uma mágoa,
O cansaço se enfeita e entrenha na flor tarde lápide do dia.
Sou eu. Sou um mísero abastecedor de palavras, mas...
E a caneta com que escrevo é quase uma vírgula desenhada para disfarçar o cabelo do último veleiro que zarpou, e me prometeu regressar para me levar,
E eu que vou,
E levarei comigo apenas um esqueleto com duzentos e seis ossos, dois ou três livros,
E algumas moedas.
Depois,
Virá a luz e com ela, a noite, e quando abro os olhos
A neve, deixou de cobrir o lençol da última figueira da casa,
E é melodia água na tristeza do poema.
30/12/2025, 21:06
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