Um corpo na lama, um corpo em chama
Que chama à sílaba
criança. Um corpo que balança
E que dança,
Um corpo quase o medo de
avançar, do fogo mísero
Que sobejou da noite
anterior, e que agora é cinza, e
A canção de uma tarde na
neve.
O que serei, não o desejo
ser
Mas sei, sei que o vou
ser
Vestir-me de luz,
banhar-me na sombra mais sombra
De todas as sombras do
meu dia, e ser
Ser só, só ser Poesia.
E o que dirá o corpo, que
sentia e via
No espelho da saudade, um
outro dia, uma outra cidade
Camuflada na ausência de
um olhar, o saber
E se deixar
Adormecer sobre a geada,
No seu mais pequeno
cansaço.
E o fogo esfria, e as
mãos são pedacinhos de palha
São vidraças partidas,
são ruas, e são avenidas
Que até mais parecem destinos,
árvores de enfeitar,
O corpo deitado na lama,
sentindo o cheiro do luar
Que afaga, que afoga
Este corpo no mar.
22/12/2025, 07:49
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