22 dezembro 2025

A canção de uma tarde na neve

Um corpo na lama, um corpo em chama

Que chama à sílaba criança. Um corpo que balança

E que dança,

Um corpo quase o medo de avançar, do fogo mísero

Que sobejou da noite anterior, e que agora é cinza, e

 

A canção de uma tarde na neve.

 

O que serei, não o desejo ser

Mas sei, sei que o vou ser

Vestir-me de luz, banhar-me na sombra mais sombra

De todas as sombras do meu dia, e ser

 

Ser só, só ser Poesia.

 

E o que dirá o corpo, que sentia e via

No espelho da saudade, um outro dia, uma outra cidade

Camuflada na ausência de um olhar, o saber

E se deixar

Adormecer sobre a geada,

 

No seu mais pequeno cansaço.

 

E o fogo esfria, e as mãos são pedacinhos de palha

São vidraças partidas, são ruas, e são avenidas

Que até mais parecem destinos, árvores de enfeitar,

O corpo deitado na lama, sentindo o cheiro do luar

Que afaga, que afoga

 

Este corpo no mar.

 

 

22/12/2025, 07:49

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