21 dezembro 2025

Tínhamos um comboio de brincar só para nós

Tínhamos, o que tínhamos nós

Em dorso corpo em flor, que havia um pedaço de pedra

Na esquina da última vez, fomos o inferno, inverno

Habitado pela manhã e depois falávamos de presépios, logo nós

Ateus, que procurávamos na espuma, apenas

A sinfonia da despedida.


Sentíamos o vento, em demanda cristalina mais pura, e

Mais bela de uma estrada de prata, e o cheiro imundo, no meu mundo,

Quando o meu corpo parecia, hinos de uma vida

Sentida a trezentos e sessenta graus, ou

Dois pi radianos,


E o sexo balançava sobre os seios quase gelo, do primeiro verso

Junto às escadas com a espada na tarde, ouvíamos as rosas em submarinos gemidos, a estrada quase deserta, e

Voava o corpo na jangada de um olhar, e

Uma mãe, em lágrimas, o perdão

Como se o seu filho, fosse outro verso


Ou pertencesse a outro astrolábio, que não eu.

E tínhamos, mas tínhamos, o quê

Duas cadeiras vazias, um Cristo quase vadio, e sabido

Que gostava de coca, e às vezes

Lia Herberto, e fumava muito

E claro, tínhamos um comboio de brincar só para nós.


21/12/2025, 22:12


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