Cada socalco é um seio
desgovernado, que olha o rio
Que desenha na mão de
cada mulher, de cada homem
As linhas transversais do
cansaço
E nas lágrimas de um
amanhecer doirado
Se perde a terra lavrada no
silêncio de uma enxada
Que parte em pedacinhos,
quase em migalhas
O xisto de uma vida
Empobrecendo até às vezes
Das tantas vezes que
enfrenta o tórrido sol
Acreditando que o amanhã
será melhor
E que do ontem apenas
sobrou, sobre a mesa
Uma tolha florida, e tão
despida
Como a própria madrugada,
só
Só e cansada, no cansaço
de uma vida.
15:11/2025, 05:19
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