15 novembro 2025

Socalco

 

Cada socalco é um seio desgovernado, que olha o rio

Que desenha na mão de cada mulher, de cada homem

As linhas transversais do cansaço

E nas lágrimas de um amanhecer doirado

 

Se perde a terra lavrada no silêncio de uma enxada

Que parte em pedacinhos, quase em migalhas

O xisto de uma vida

Empobrecendo até às vezes

 

Das tantas vezes que enfrenta o tórrido sol

Acreditando que o amanhã será melhor

E que do ontem apenas sobrou, sobre a mesa

 

Uma tolha florida, e tão despida

Como a própria madrugada, só

Só e cansada, no cansaço de uma vida.

 

15:11/2025, 05:19

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