Sempre aflitos, os sifilíticos
Aflito o vinho no
estômago do embriagado
Aflita e a correr, a heroína
aflita nas veias de um drogado
Aflita a chuva, se toda a
água vai ter ao mar
Aflitos, sempre tão
aflitos
Os carros e o vento
Aflitas ficam as árvores
quando ao longe vem o fogo
E ficam aflitos os
pássaros quando vêem a árvore a arder
Aflito o carteiro que não
encontra a minha morada
Aflitos os barcos, sempre
aflitos no medo de encalhar
E não serem mais barcos
Na sucata de tantos
barcos aflitos
Aflito o padeiro que
deixou queimar o pão
No pão que amassou o
diabo
E para quê tanta aflição
Sempre aflitos, os sifilíticos,
o embriagado e o drogado.
15/11/2025, 05:36
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