29 novembro 2025

O algoritmo

 

O algoritmo, aos poucos, cresce na mão do fogo

Também aos poucos, e na mão do fogo

Cresce um barco que todos o apelidavam de jacaré

Que era ateu, e que às vezes

Das outras vezes, fingia

Que tinha fé, e fingia

Que fingia ser poeta

 

Também às vezes, fingem-se orgasmos

Os chamados

Orgasmos fingidos

Que tanto por aí andam

E que estão em voga

Ser voador e ser paraquedista

Ser maquinista de uma plataforma de petróleo

Sempre com a mão pincelada de óleo

 

A serra eléctrica, também às vezes o berbequim

Em busca de qualquer coisa na cabeça da noite, e a serra

Corta cada pedaço do crânio, e em fatias são exportadas

Para o outro lado do mar

Que o algoritmo, aos poucos, cresce na mão do fogo

Se multiplica e se divide, também depois

Quando a última vertebra da noite, se senta

E se senta sobre uma pequena pedra…

 

29/11/2025, 22:09

Sem comentários:

Enviar um comentário