Quantos quadrados tem um
círculo de luz com olhos verdes
Quantos pares de algemas
tem a noite, se eu perguntar à lua
Quantas são as flores do
meu jardim
Quantos são os livros que
depois de apedrejados, sorriem…
Quantas putas cabem na
algibeira de um magala, muito poucas
São tão poucas como as
avenidas, despidas
Em despedida comunhão, o
trapézio está tão murcho, Ritinha
Que talvez amanhã não
haja circo
Ou que talvez amanhã
acorde a mão
Da alvorada e florida
crucificação de um mendigo
De pobre anão
De muito pobre cartaz de
feira – hoje temos poesia
Mas a tasca é uma aldeia
à beira
De uma também pobrezinha
lareira.
29/11/2025, 21:45
Sem comentários:
Enviar um comentário