30 novembro 2025

A aldeia da insónia

 

Flameja a aldeia da insónia, somos a escuridão de ontem

Percorremos as infinitas manhãs e nem sabíamos que havia um sino, um sino menino

Sobre a árvore das nossas brincadeiras

E deitados, ouvíamos os pássaros

 

Líamos a solidão que brotava de cada pétala arrancada

Da flor cremada pelo incenso de uma pirâmide, estava tão escuro

E o dia sempre que nos pertencia, havia

Coisas fúteis sobre a mesa, e às vezes

 

Recebíamos o doloroso sono vestido de um timbre aligeirado, prestes a ser outra vez noite

De uma outra noite

Da noite que nos tinha segredado

Que a miséria de uma pedra por lapidar

 

Pertence às ruas e aos bancos de jardim onde ontem nos sentávamos

Que foi feito daquela muralha de silício amadurecido

Que nos dava os frutos saboreados à nascença

Por uma serpente que de veneno apenas tinha no nome

 

A ardósia cinzenta de uma saudade, longe e tremenda

Do rio que galgava até ao sótão com janela sobre a cidade

Na cidade quase morta, como nós, hoje

Que pertencemos ao defunto quinto velório da paixão.

 

30/11/2025, 06:12

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