Flameja a aldeia da
insónia, somos a escuridão de ontem
Percorremos as infinitas
manhãs e nem sabíamos que havia um sino, um sino menino
Sobre a árvore das nossas
brincadeiras
E deitados, ouvíamos os
pássaros
Líamos a solidão que
brotava de cada pétala arrancada
Da flor cremada pelo
incenso de uma pirâmide, estava tão escuro
E o dia sempre que nos
pertencia, havia
Coisas fúteis sobre a
mesa, e às vezes
Recebíamos o doloroso
sono vestido de um timbre aligeirado, prestes a ser outra vez noite
De uma outra noite
Da noite que nos tinha
segredado
Que a miséria de uma
pedra por lapidar
Pertence às ruas e aos
bancos de jardim onde ontem nos sentávamos
Que foi feito daquela
muralha de silício amadurecido
Que nos dava os frutos
saboreados à nascença
Por uma serpente que de
veneno apenas tinha no nome
A ardósia cinzenta de uma
saudade, longe e tremenda
Do rio que galgava até ao
sótão com janela sobre a cidade
Na cidade quase morta,
como nós, hoje
Que pertencemos ao
defunto quinto velório da paixão.
30/11/2025, 06:12
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