Gosto de me erguer cedo,
e cedo erguer
Dá tesão,
E dá prazer
Depois tiro um café, e
sento-me
Fico ausente, e sentado
No frio mármore das
escadas
Fumo um cigarro,
E pontualmente, às cinco
e trinta da manhã
O caralho do galo do
vizinho novo,
Preferia uma gata, ou
Mais peixes, para alegrar
as noites,
Dos meus quatro peixes
O furriel gemia enquanto
o amigo o enrabava no corredor
A amiga do furriel
sentia, o frio gélido do aço inoxidável da mesa comprida, cumprimentos ao sr. Doutor
Serão entregues, ao final
do dia
E nem eu imaginava que
enquanto a fodia, a amiga do furriel, no futuro,
Eu,
Estudaria,
Aços inoxidáveis,
E rodas dentadas,
E parafusos de tesão
(pressão)
E também, poesia
Enquanto escrevo esta
merdice, e quando cheguei à mesa gélida e fria do aço inoxidável de uma mesa comprimida,
Dispo-te lentamente no
silêncio da copa, beijo-te, toco os teus seios
E um universo em
construção, brota dos teus das seios,
Sentes também o frio
gélido em lâminas de geada do aço inoxidável da comprida mesa,
E, oiço-te gemer
E nem eu imaginava que
enquanto a fodia, a amiga do furriel, no futuro,
Eu,
Estudaria,
Aços inoxidáveis,
E rodas dentadas,
E parafusos de tesão
(pressão)
E também, poesia
Que as análises estão
dentro dos normais parâmetros,
O electrocardiograma,
normalíssimo,
E quanto à próstata, está
bem e recomenda-se
Quem eu sou
Que não sou, sendo-o
Penso,
Penso como o senhor
Álvaro de Campos que tanto pensava, que tanto pensou
Que o coitado do
Fernando,
Nem a fodeu, nem deixou
que a fodessem,
E a coitada da Ofélia
morreu, virgem
Tão virgem como o senhor
Álvaro de Campos morreu,
E enquanto fumo e penso,
acredito que tudo, tudo
Tudo é uma equação
Imaginem dois corpos a
foder, se não existisse a força da gravidade,
Nove meses depois, perdão
Nove vírgula oito metros
por segundo quadrado,
Um horror,
O coito quando o inverno
desce pelas nádegas, e o pilau, no seu dilema,
O que faço eu, agora?
Ergo-me, ou…
Deixo-me estar à lareira,
E às vezes o filho da
puta zanga-se,
E já não sei,
Quem eu sou
Que não sou, sendo-o
Neste surrealismo
invisível de estar vivo.
(31/10/2025)
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