31 outubro 2025

Quem eu sou Que não sou, sendo-o

 

Gosto de me erguer cedo, e cedo erguer

Dá tesão,

E dá prazer

Depois tiro um café, e sento-me

Fico ausente, e sentado

No frio mármore das escadas

Fumo um cigarro,

E pontualmente, às cinco e trinta da manhã

O caralho do galo do vizinho novo,

Preferia uma gata, ou

Mais peixes, para alegrar as noites,

Dos meus quatro peixes

 

O furriel gemia enquanto o amigo o enrabava no corredor

A amiga do furriel sentia, o frio gélido do aço inoxidável da mesa comprida, cumprimentos ao sr. Doutor

Serão entregues, ao final do dia

E nem eu imaginava que enquanto a fodia, a amiga do furriel, no futuro,

Eu,

Estudaria,

Aços inoxidáveis,

E rodas dentadas,

E parafusos de tesão (pressão)

E também, poesia

 

Enquanto escrevo esta merdice, e quando cheguei à mesa gélida e fria do aço inoxidável de uma mesa comprimida,

Dispo-te lentamente no silêncio da copa, beijo-te, toco os teus seios

E um universo em construção, brota dos teus das seios,

Sentes também o frio gélido em lâminas de geada do aço inoxidável da comprida mesa,

E, oiço-te gemer

 

E nem eu imaginava que enquanto a fodia, a amiga do furriel, no futuro,

Eu,

Estudaria,

Aços inoxidáveis,

E rodas dentadas,

E parafusos de tesão (pressão)

E também, poesia

 

Que as análises estão dentro dos normais parâmetros,

O electrocardiograma, normalíssimo,

E quanto à próstata, está bem e recomenda-se

 

Quem eu sou

Que não sou, sendo-o

 

Penso,

Penso como o senhor Álvaro de Campos que tanto pensava, que tanto pensou

Que o coitado do Fernando,

Nem a fodeu, nem deixou que a fodessem,

E a coitada da Ofélia morreu, virgem

 

Tão virgem como o senhor Álvaro de Campos morreu,

 

E enquanto fumo e penso, acredito que tudo, tudo

Tudo é uma equação

Imaginem dois corpos a foder, se não existisse a força da gravidade,

Nove meses depois, perdão

Nove vírgula oito metros por segundo quadrado,

Um horror,

O coito quando o inverno desce pelas nádegas, e o pilau, no seu dilema,

O que faço eu, agora?

Ergo-me, ou…

Deixo-me estar à lareira,

 

E às vezes o filho da puta zanga-se,

 

E já não sei,

 

Quem eu sou

Que não sou, sendo-o

 

Neste surrealismo invisível de estar vivo.

 

(31/10/2025)

Sem comentários:

Enviar um comentário