21 outubro 2025

Como este gajo

 

Sinto-me como este gajo.

Talvez não o conheçam, talvez sim, talvez

Este gajo é sem qualquer dúvida um dos nossos melhores escritores dos anos 50, 60 e 70 do sec. passado.

Eis o libertino, o Luiz Pacheco.

Sinto-me como este gajo no sentido de

Eu fodido.

Porque este gajo pouco trabalhou no duro.

E se eu pudesse ia já dormir e que nem jantava e que nem

Lanchava.

É tanto o cansaço.

Mas ainda falta ir fazer a hora do jantar, e assim seja

Só depois das 20:00 horas é que estou livre.

Livre, solvo seja, porque nunca somos livres.

Os únicos gajos quase livres foram

O Pacheco e o Cesariny, e mais 2 ou 3.

Quanto ao resto, somos e seremos eternamente escravos.

 

Fodido eu estou

Estarei eternamente fodido

Vou lendo o Pacheco e o Cesariny

E o Lobo Antunes

E o Francisco Luís Fontinha

 

E fodido morrerei

Enquanto o mar dá voltas ao corpo do vento

Enquanto o mar ama

Ama o vento que balança

Que chora

E que às vezes

Se cansa

De tanto me foder.

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