09 setembro 2025

Setembro

 

Na chuva, novamente Setembro, sempre noite

Sempre sem lua

Desde que me lembro, meu amor, em cada Setembro, a cada engano

Na chuva, meu amor, se o capim o quiser, ele voltará

Um dia, sobre a chuva, e deixará de haver Setembro, nem chuva, nem capim ou cubata nem lua ou bairro de lata, talvez uma mulata, talvez uma tela sem nome, tão só, como o próprio nome

É Setembro. Meu amor, o horrendo fogo da escuridão, na chuva quase silêncio nas pálpebras de uma abelha, ela beija sua flor

Setembro o negro, trinta dias em Setembro, do outro lado do mar

Aqui sentado, á procura de um fio

Tão só, como o próprio nome

E em Setembro nunca poderá haver uma criança com fome,

Em Setembro.

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