10 setembro 2025

pedra dorsal

 

a pedra dorsal, o vinho, semeado, sobre a toalha invisível do sono

a pedra é quase gelo, na mão de um livro

é também desencanto, e é um silêncio desencontrado

nos lábios do vento

 

o cabelo da chuva que se enrola à árvore, da lua, a nua

vertigem de um gato, e também um rio, em fome e em cio

galga cada socalco dos seios de um poema envenenado

só, tão só como o destino

 

quando menino, a pedra dorsal suspensa no calcanhar de um pássaro, que se aprisiona à madeixa que sobejou do jantar de ontem e quase nada, ou tudo

pertence à minha sombra, ao meu nome

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