22 setembro 2025

outono

 

é outono nos teus seios e ao invés das árvores que aos poucos se despedem das folhas

aos teus seios regressam os rios de mel sempre que uma criança sorri ou faz birra e a serpente

enrola-se às tuas mãos e dança sobre a fina areia molhada do luar

 

é outono desejar-te no amar-te tímido em cada frase escrita em cada palavra lançada contra a montanha

um pássaro se afugenta na claridade da maré capaz de regressar a todos os limos depois que a auréola não é mais a luz

e a luz nunca será o beijo

 

o teu beijo já de outono crescido e que corre sobre as nuvens de uma lareira que é o frio e o timbre de uma maçã mastigada na boca do infinito

e eu pensava porque muito penso e em nada penso a não ser

pensar a não ser inventar uma flor com pétalas de silêncio e outra luz virá à penumbra manhã de uma partida

 

é outono nos teus seios que incendeia a míngua madrugada enfeitada com as cores da lança cravada no pôr-do-sol e

e o mar pertence aos teus seios nas estrelas cansadas do meu olhar que cada lágrima foi apenas uma esquina de luz na fímbria delicadeza do primeiro pingo de chuva

sobre os teus seios em outono milagre

 

os meus lábios de frio inverno.

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