é outono nos teus seios e
ao invés das árvores que aos poucos se despedem das folhas
aos teus seios regressam
os rios de mel sempre que uma criança sorri ou faz birra e a serpente
enrola-se às tuas mãos e
dança sobre a fina areia molhada do luar
é outono desejar-te no
amar-te tímido em cada frase escrita em cada palavra lançada contra a montanha
um pássaro se afugenta na
claridade da maré capaz de regressar a todos os limos depois que a auréola não
é mais a luz
e a luz nunca será o
beijo
o teu beijo já de outono
crescido e que corre sobre as nuvens de uma lareira que é o frio e o timbre de
uma maçã mastigada na boca do infinito
e eu pensava porque muito
penso e em nada penso a não ser
pensar a não ser inventar
uma flor com pétalas de silêncio e outra luz virá à penumbra manhã de uma
partida
é outono nos teus seios
que incendeia a míngua madrugada enfeitada com as cores da lança cravada no
pôr-do-sol e
e o mar pertence aos teus
seios nas estrelas cansadas do meu olhar que cada lágrima foi apenas uma
esquina de luz na fímbria delicadeza do primeiro pingo de chuva
sobre os teus seios em
outono milagre
os meus lábios de frio
inverno.
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