21 setembro 2025

despedida

 

outrora fui um pássaro, que brincava na ausência e amêndoa,

às vezes, sobre a mesa, a demente cadeira, a arminda quase cega, quase estrela, como a minha mãe

nos suspiros, e

e que dos poucos, e aos poucos, parecia o vento a despedir-se da chuva, e a chuva lhe sorria, na perfeição, a cada pedacinho de sono deixado sobre a mesinha-de-cabeceira.

 

a chuva era o timbre dinâmico em diamante, que serrava a sombra em duas metades, entre uma vírgula uva, e uma maçã ponto de interrogação, e seria capaz de mergulhar em suas mãos, eu, o seu filho,

as palavras que lhe escrevi no olhar, que apenas me sentia pelo cheiro, porque a fêmea, mesmo cega e louca, sabe sempre quem é a sua cria,

queria, eu queria, eu serei sempre a sua cria.

 

outrora fui um pássaro, que brincava na ausência e amêndoa,

às vezes, sobre a mesa, a demente cadeira, a arminda quase cega, quase estrela, como a minha mãe

 

a despedir-se de mim.

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