12 setembro 2025

o primeiro dia de escola

 

o primeiro dia de escola, o primeiro beijo, a primeira lágrima, a primeira coisa, de muitas coisas, quase me esqueci,

quase não me lembro

mas nunca esqueci, a primeira noite, do primeiro dia, do meu serviço militar obrigatório

o poeta que sempre sonhou, acordado, a dormir, no pouco que dormia

e na primeira noite, do primeiro dia do serviço militar obrigatório,

o poeta,

não sonhou.

 

o poeta quando acordou, sentia um vazio, um frio à velocidade da luz no interior de suas veias,

começou a perceber que lhe tinham roubado o cérebro, e a partir daquela manhã,

o poeta passava a ser um poema telecomandado, ou até,

às vezes, às vezes humilhado.

 

o primeiro dia de escola, o primeiro beijo, a primeira lágrima, a primeira coisa, de muitas coisas, quase me esqueci,

quase não me lembro

mas nunca esqueci, a primeira noite, do primeiro dia, do meu serviço militar obrigatório,

 

nem tão pouco a última noite da minha última heroína fumada, dançando num pedaço de prata, e eu

ouvia o silêncio do vento,

e os meninos em lágrimas

num qualquer bairro de lata.

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