o primeiro dia de escola,
o primeiro beijo, a primeira lágrima, a primeira coisa, de muitas coisas, quase
me esqueci,
quase não me lembro
mas nunca esqueci, a
primeira noite, do primeiro dia, do meu serviço militar obrigatório
o poeta que sempre
sonhou, acordado, a dormir, no pouco que dormia
e na primeira noite, do
primeiro dia do serviço militar obrigatório,
o poeta,
não sonhou.
o poeta quando acordou,
sentia um vazio, um frio à velocidade da luz no interior de suas veias,
começou a perceber que
lhe tinham roubado o cérebro, e a partir daquela manhã,
o poeta passava a ser um
poema telecomandado, ou até,
às vezes, às vezes
humilhado.
o primeiro dia de escola,
o primeiro beijo, a primeira lágrima, a primeira coisa, de muitas coisas, quase
me esqueci,
quase não me lembro
mas nunca esqueci, a
primeira noite, do primeiro dia, do meu serviço militar obrigatório,
nem tão pouco a última
noite da minha última heroína fumada, dançando num pedaço de prata, e eu
ouvia o silêncio do
vento,
e os meninos em lágrimas
num qualquer bairro de
lata.
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