Dizem que me inventaram
numa noite de espinhos
quando dormia o sono
e todos os cheiros do teu
corpo
deambulavam entre paredes
de gesso
e pequenos quadrados de
vidro
que a insónia lhes pegava
com a mão
e os acariciava num
espaço vazio
penumbro,
E fino como as asas dos
anjos de brincar...
estou a falar da janela
dos sonhos
e do espelho da saudade
onde me miro todos os
dias ao acordar
e vejo-me crescer como
crescem as ervas debaixo das lâminas de papel,
E vejo-me voar sobre as
pétalas encarnadas da tristeza
dizem-me que fui
inventada
pela mão de uma nuvem
cinzenta
quando ainda existiam
nuvens cinzentas na planície dos malignos esconderijos da paixão,
Hoje sou poeira como
cigarros num quarto de vidro
a que alguns chamam de
cinzeiro
outros delírios meus
enquanto não me absorves e te alimentas de mim
dizem que fui inventada
por ti
e aqui estou
esperando pelas tuas
mandíbulas azuis que vivem dentro do medo,
Esperando pelas tuas mãos
de cedro
que trazes nos olhos e
das estrelas vadias...
os fins de tarde
entalados no Tejo depois de amarelos peixes esquisitos
abraçarem-se-me e
levarem-me antes de regressares para me resgatares do inferno
sentido que o amor deixa
impregnado nas roupas minha pele...
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