02 setembro 2025

crateras de vidro

 

penso em ti enquanto habitas o meu esponjoso peito

com crateras de vidro

penso em ti quando se abre em mim uma qualquer janela

que o meu pobre corpo alimenta

possui

habitas em mim sonho encaracolado nos castanhos cabelos do amanhecer...

 

apaixonado cansaço do silêncio mendigo às ruas plastificadas como capas de livros envelhecidos

perdidos entre palavras e ventos agrestes

velas

e veleiros...

penso em ti... peito

mergulhado no Oceano mar em tristes marés nocturnas

 

penso em ti enquanto bebo o meu esponjoso peito onde habitas clandestinamente...

vestes-te de sofrimento e disfarças-te de fotografia

imagem pobre e apodrecida

das tempestades aos beijos em chuva de Outono

caiem as folhas dos teus lábios

e alicerçam-se no meu peito esponjoso... e lá deitas a cabeça da solidão

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