01 setembro 2025

as lágrimas do capim

 

o vidro descalço, o pénis da primavera, murcho, tão murcho como o silêncio de uma locomotiva a vapor, entre soluços

dentro da cubata, sobre a maresia de uma esfera quase perfeita,

tão quase,

que o vidro descalço, depois da chuva, sentia o perfume da sanzala, às vezes, voava,

tinha febre, tinha frio, e às vezes,

chorava.

 

sentava-se. desenhava o rio na fenda do gesso que servia de tapume, entre o dia

e a noite,

depois, também

uma alcofa pintada de sonhos, o mar estava, sempre, no tecto, da alcofa

e ouviam-se as lágrimas do capim, quando o vento,

entrava,

e me levava, e me deixava, só, só na sanzala.

 

será o vidro sobre a mesa, será a mesa um desperdício, os sobrantes da noite passada, virá novamente a chuva, e se vier

e se ela o quiser, uma pedra, também

sentada, sentada sobre a mesa sobre o vidro, nas mãos

do pénis da primavera.

e é quase ontem, que daqui a pouco, será amanhã

e a espuma do desejo, semeada na mesa, escondida dentro de uma toalha, em puro linho, o avental descaído sobre o vidro, e uma flor, sorri

acreditando que amanhã é sábado.

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