o vidro descalço, o pénis
da primavera, murcho, tão murcho como o silêncio de uma locomotiva a vapor,
entre soluços
dentro da cubata, sobre a
maresia de uma esfera quase perfeita,
tão quase,
que o vidro descalço,
depois da chuva, sentia o perfume da sanzala, às vezes, voava,
tinha febre, tinha frio,
e às vezes,
chorava.
sentava-se. desenhava o
rio na fenda do gesso que servia de tapume, entre o dia
e a noite,
depois, também
uma alcofa pintada de
sonhos, o mar estava, sempre, no tecto, da alcofa
e ouviam-se as lágrimas
do capim, quando o vento,
entrava,
e me levava, e me
deixava, só, só na sanzala.
será o vidro sobre a
mesa, será a mesa um desperdício, os sobrantes da noite passada, virá novamente
a chuva, e se vier
e se ela o quiser, uma
pedra, também
sentada, sentada sobre a
mesa sobre o vidro, nas mãos
do pénis da primavera.
e é quase ontem, que
daqui a pouco, será amanhã
e a espuma do desejo,
semeada na mesa, escondida dentro de uma toalha, em puro linho, o avental
descaído sobre o vidro, e uma flor, sorri
acreditando que amanhã é
sábado.
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