seminua, a tua púbis
sobre um lençol de água, encostas as costas à cabeceira da cama, poisas uma
perna sobre o vento nocturno de um silêncio em desejo, a outra perna, mais
distante, flectida a quarenta e cinco graus, desejo-te
a tua coxa transpira
gotículas de uivos prazer, não gemes, mas no meu poema
escreves gemidos no meu
sexo com as tuas mãos, silencio-me aqui,
perante deus, que desenhou
a mulher à semelhança da poesia,
e é
a mulher,
o poema mais lindo de
toda a poesia…
escrita e desejada. oiço
o pulsar dos teus olhos, veneno que o teu cabelo lança sobre o mar,
respiras, sôfrega, sobre
um pedaço de inverno, e se a geada poisasse na tua pele,
erguia-se a maré sobre o
teu ventre, quando, agora, me olhas,
e uma bala disparada dos
teus dedos, traz escrito na mão
amo-te.
as tuas coxas puxam de um
cigarro, vão à janela,
e todo o mar,
entra pela janela.
e abraça-te. e eu,
abraço-te.
(poema retirado do livro “O
farol”)
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