01 setembro 2025

e abraça-te. e eu, abraço-te

 

seminua, a tua púbis sobre um lençol de água, encostas as costas à cabeceira da cama, poisas uma perna sobre o vento nocturno de um silêncio em desejo, a outra perna, mais distante, flectida a quarenta e cinco graus, desejo-te

a tua coxa transpira gotículas de uivos prazer, não gemes, mas no meu poema

escreves gemidos no meu sexo com as tuas mãos, silencio-me aqui,

perante deus, que desenhou a mulher à semelhança da poesia,

e é

a mulher,

o poema mais lindo de toda a poesia…

escrita e desejada. oiço o pulsar dos teus olhos, veneno que o teu cabelo lança sobre o mar,

respiras, sôfrega, sobre um pedaço de inverno, e se a geada poisasse na tua pele,

erguia-se a maré sobre o teu ventre, quando, agora, me olhas,

e uma bala disparada dos teus dedos, traz escrito na mão

amo-te.

as tuas coxas puxam de um cigarro, vão à janela,

e todo o mar,

entra pela janela.

e abraça-te. e eu, abraço-te.

 

(poema retirado do livro “O farol”)

Sem comentários:

Enviar um comentário