02 setembro 2025

Os castelos de sal

 

Percebia-te infindável pelos teus olhos de maré luar

escondias-te das minhas mãos e da minha pele rasurada por uma caneta de tinta permanente

percebia-se que em ti viviam estrelas de madeira

e perfumes como caixas de música

havia em ti uma janelinha de amor

e um pedacinho de suor quando descia a noite das árvores adormecidas,

 

Censurada

tu habitavas como eu em mim entre abelhas de aço

e pequenos grãos de areia que o mar escondia de nós

tínhamos o mel das noites quando adormeciam os cobertores da dor

sempre que tu e sempre que eu e sempre... apenas vivíamos percebendo-se pelas linhas de giz

que o vento um dia vinha procurar-te entre os destroços dos vidros estilhaçados,

 

Percebia-te infindável... maré luar

e mesmo assim subi à árvore dos silêncios para trazer-te do sonambulismo desejo

onde vivias pensando que de mim havia luzes coloridas como te tinhas habituado à cidade...

dos sonhos proibidos e inventados e imaginados

porque viviam nas caixas de música

os eternos poemas do homem encapuçado pela noite dos castelos de sal.

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