Percebia-te infindável
pelos teus olhos de maré luar
escondias-te das minhas
mãos e da minha pele rasurada por uma caneta de tinta permanente
percebia-se que em ti
viviam estrelas de madeira
e perfumes como caixas de
música
havia em ti uma janelinha
de amor
e um pedacinho de suor
quando descia a noite das árvores adormecidas,
Censurada
tu habitavas como eu em
mim entre abelhas de aço
e pequenos grãos de areia
que o mar escondia de nós
tínhamos o mel das noites
quando adormeciam os cobertores da dor
sempre que tu e sempre
que eu e sempre... apenas vivíamos percebendo-se pelas linhas de giz
que o vento um dia vinha
procurar-te entre os destroços dos vidros estilhaçados,
Percebia-te infindável...
maré luar
e mesmo assim subi à
árvore dos silêncios para trazer-te do sonambulismo desejo
onde vivias pensando que
de mim havia luzes coloridas como te tinhas habituado à cidade...
dos sonhos proibidos e
inventados e imaginados
porque viviam nas caixas
de música
os eternos poemas do
homem encapuçado pela noite dos castelos de sal.
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