25 setembro 2025

apedrejada

 

profunda a imagem projectada na parede no vidro quase escuro como a luz do sol

em lágrimas

as mãos golpeadas e escancaradas perante o cortinado pincelado de desgosto

quase preso nas mãos o guindaste de uma abelha porque às vezes é preciso chorar no nu só quarto só

 

entre as imagens projectas nas sandálias quando do paquete

uma criança acenava às palmeiras que o orvalho sobre o telhado

aqui semeava

sempre que a primavera era a alvorada de uma corneta sempre aos pulos

na algibeira do magala perneta

 

ó ânfora jangada na cânfora manhã acordada mas a madrugada é uma espada malvada e salivada que na mulher dá pancada

que a loucura é uma vírgula na vagina de uma pedra novamente desejada

sempre amada

 

sempre apedrejada

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