25 setembro 2025

arcádia

 

arcádia porque sim o é até que o sol escureça o silêncio de uma pedra

mais cansada do que o sono antes o era perspicaz e hoje só um pequeno orifício na janela

 

ávido na distância quando se senta e que nunca está sentado

que brinca com charruas de prata e que depois de se sentar

que nunca e que nunca está sentado

corre como um desalmado em procura de não procurar

 

outro mar e outra noite sem nódoas de sangue na pele da alvorada

e o fítico parece uma guitarra

e uma espada canta canções de embalar

 

no peito sonolento do poeta em transe

que caminha sobre a água pura que brota em teus seios

e que depois da lareia em chamas é o morrer

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